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Resistência à Tração

Quando o valor da resistência à tração de uma manta impermeável é incluído em uma especificação, tem-se a impressão de que se trata de uma imprescindível, capaz de melhorar ou compensar a resistência à tração do concreto, trazendo, este pressuposto, a idéia de que o julgamento comparativo desqualifique um produto. Nos últimos 15 anos, o êxito das impermeabilizações feitas com mantas de polietileno e asfalto (termoplásticas) que apresentam ductilidade, flexibilidade e, nos testes de carga e deformação, alongamento superior a 300%, deixa comprovada a importância destas características nas construções delgadas e rígidas.

Os executores da impermeabilização, na maioria das vezes, não têm, ao menos, bom senso. Por exemplo: um teste de água que se faça sobre a impermeabilização com a manta aderida, é uma tapeação, pois só terá validade se os poros da laje não estivessem colmatados superficialmente com Primer e asfalto quente, que colam à manta. Sem aderir, estaríamos controlando a qualidade da união das mantas, da mão de obra e da resistência delas à pressão da água.

É certo que uma cobertura plana, constituída por uma laje de concreto, trabalha, e vão surgir fissuras, por onde a água entra na construção. É certo também uma impermeabilização aderida à laje, por mais resistente à tração que seja não vai ser suficiente forte para evitar os movimentos do concreto. É obvio que a impermeabilização ou se dilata e cede, ou se rompe. A impermeabilização não está lá para evitar que a água passe. Para cumprir esta função, a impermeabilização precisa ter características tais que permaneça estanque, mesmo quando a laje se rompe e abra uma fissura.

A TEXSA defende o ponto de vista de que a impermeabilização tem um desempenho melhor quando se usa uma manta com capacidade de deformação plástica e é colocada não aderida à laje. A manta não aderida permite que os movimentos se distribuam sobre uma superfície maior e a manta termoplástica ceda ao esforço, e não faça oposição. É como na vida – se somos atacados por alguém mais forte, ou cedemos ou seremos destruídos. O impermeabilizador é como o alfaiate: quando você compra um corte de tropical inglês e o entrega a um mau alfaiate, o terno sai torto; quando você usa, em sua obra, uma manta asfáltica aplicada por uma empresa não recomendada pelo fabricante, você terá problemas de infiltração. Aderir ou não, é uma questão de julgamento do técnico que analisa o desempenho estrutural.

As mantas armadas com reforços mais rígidos e aderidos à laje, podem funcionar, dependendo da magnitude e do grau de fissuramento. Cada caso teria que ser analisado um por um. As mantas armadas com feltro de poliéster e produzidas com asfalto polimérico dúctil funcionam bem, pois o asfalto é dúctil e dentro dos limites de abertura das fissuras, escorrega e não transmite o esforço diretamente para a armadura, que, por sua vez, também tem características de alongamento. O que não funciona é uma manta fabricada com asfalto duro sujeito à perda de ductilidade por envelhecimento.

A norma NBR 9952 utiliza o artifício do fator resistência x alongamento para enquadrar as mantas. Uma manta pode ser muito resistente e ter pequeno alongamento, ou o inverso, pode ser muito plástica e ser pouco resistente. Cabe optar por um sistema que já comprovou sua eficiência na prática, mas ressaltamos que não se deve confundir impermeabilização com reforço de concreto.